S/I - A Sociedade Institucionalizada

Postado em: 23/05/2010 às 23h09


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Começo com um caso de casa: meu pai e o mais velho dos meus tios eram irmãos muito unidos e, morando há poucos anos em São Paulo, tão logo conseguiram juntar algum dinheiro, resolveram, juntos, comprar um terreno e, nele, construir duas casas. A nossa casa dava de frente para uma rua secundária do bairro. A casa de meus tios ficava em uma rua que era travessa de uma grande avenida. Nos fundos, nossas casas eram separadas por um muro baixo e um portão de madeira permitia que passássemos de um lado a outro.

Vindo do sul de Minas e de família numerosa e pobre, meu pai só pôde estudar até a quarta série do ensino primário, ou quarto ano de grupo, como eles chamavam na época. No entanto, apesar dos poucos anos de estudo, meu pai tinha belíssima caligrafia, aprendeu a tocar violão sozinho - “de ouvido” -, desenhava e pintava muito bem e, após ter passado por todas as funções na construção civil, chegou ao cargo de Mestre de Obras, contando com grande capacidade de raciocínio matemático para discutir cálculos e medidas com engenheiros e arquitetos e, ao final, ter o melhor argumento.

Minha mãe estudou um pouco menos que meu pai; fez até o terceiro ano de grupo. Assim como meu pai, porém, ela tinha ótima caligrafia e raríssimos erros de português ao escrever. Foi uma mulher do lar; cuidou da casa e dos filhos.

Nosso bairro era uma vila simples, sem muitos recursos: ruas de terra, água puxada do poço... de quando em quando, tratores passavam pelas ruas para aplanar o terreno: um inferno feito em pó para as donas de casa e uma diversão para as crianças.

Pré-escola era algo, física e socialmente, distante de nós. Passamos a infância brincando no quintal de casa, em nossa rua calma e secundária, até que foi chegada a idade de ingressar no primeiro ano do ensino primário.

Quando entrei na escola, já sabia ler e escrever algumas palavras. Muitos de meus colegas, contudo, mal conseguiam segurar o lápis e seguiam a cantilena “chuva vai, chuva vem, chuva miúda não mata ninguém” para grafar as primeiras vogais.

Para os meus pais, o estudo era o grande patrimônio que eles poderiam dar aos filhos. Pessoas que “faziam faculdade” eram pessoas “formadas”, gente com diploma, profissão, alto grau de conhecimento e vida bem estabelecida. Nosso caminho estava traçado: mesmo que fossem grandes os obstáculos e sacrifícios, iríamos estudar.

Passados alguns anos, hormônios e neurônios continuavam a se desenvolver... Às vezes, uns se sobrepunham aos outros... Lembro-me que, dos nove para os dez anos de idade, tive, pela primeira vez, uma namorada que sabia que eu a namorava e que me namorava também. Peguei um dinheirinho que tinha guardado e comprei para ela uma “caixinha surpresa”, daquelas que todo mundo sabia o que tinha dentro: um anel que se assemelhava a uma aliança. Era folheado a ouro, brilhava muito, mas, por baixo, era puro latão que, com o passar do tempo, começava a se mostrar... O fato, porém, é que o presente causou grande impacto sobre a garota: ganhei um beijo!

Aquele tempo de escola e sonhos diurnos logo passou para mim. Entre os treze e os quatorze anos de idade, comecei a trabalhar e passei a fazer parte desse grande número de pessoas que trabalham durante o dia e estudam à noite.

O caminho para a faculdade parecia cada vez menos aplanado, mas uma coisa ainda era certa: quem fizesse Direito seria advogado, quem fizesse Medicina seria médico, quem fizesse Engenharia seria engenheiro, se assim o quisessem, para o resto de suas vidas.

Hesitei diante de várias carreiras, mas segui meu passo firme rumo ao curso superior. Terminado o segundo grau, optei e fiz o curso de Licenciatura e Bacharelado em Letras. Muitas ilusões se dissiparam ao longo dos quatro anos de graduação. O melhor que qualquer faculdade pode fazer por seus alunos é abrir-lhes o amplo leque do campo de conhecimento de sua área e de seus vasos comunicantes. As palavras “domínio pleno”, tão freqüentes nos planos de ensino de milhares de escolas, não se realizam ao término de qualquer curso universitário.

Para a minha geração, o compromisso tácito que havia era que todo profissional responsável, para o bom exercício de sua profissão, deveria ser, também, um estudioso atento e aplicado. Diplomas nunca trouxeram prazo de validade e o que valia, para nós, era a qualidade que podíamos alcançar com o bom desenvolvimento de nosso trabalho, com a observação e a assimilação diárias de tudo o que pudesse trazer bons resultados; um exercício que, passo a passo, constrói uma sólida experiência profissional.

No entanto, em um mundo que elege a provisoriedade como a linha estreita sobre a qual tudo deve se equilibrar, a experiência parece ter pouca utilidade.

O que vejo, no presente, são crianças que, cada vez mais, entram com menos idade na escola. Maternais, Infantis, Pré-escolas, Ensino Fundamental com nove anos de duração, Ensino Médio... De um lado, crianças que estudam nos melhores colégios particulares e que convivem, desde muito cedo, com a pressão de se decidirem por uma carreira e ingressarem nas melhores universidades do país. De outro, meninos e meninas que estudam em escolas públicas ou em colégios particulares de menor expressão, mas que, mesmo assim, esperam e têm como meta “fazer uma faculdade”.

Em ambos os grupos, porém, há um conceito comum que vem ganhando força, fazendo eco: “hoje em dia, só faculdade não quer dizer nada; é preciso fazer uma pós...”.

Ora, uma pessoa que conclui, dentro dos padrões de hoje, um curso superior, é uma pessoa que passou, em média, 17 anos dentro de uma instituição de ensino. Gente que entrou com dois, três, quatro ou cinco anos de idade na escola e que se graduou com 20, 21 ou 22 anos de idade. Ouvir, portanto, que “só faculdade não quer dizer nada”, após anos de aplicação equivocada de promoções automáticas, programas de aceleração e relações clientelistas entre escolas e alunos, é o mesmo que ouvir o Sistema de Ensino dizendo: “Os estudantes passaram pela escola, mas foram, apenas, folheados à educação. Por baixo, porém, eles são puro latão, algo que, com o passar do tempo, começa a se mostrar. Desta forma, é necessário aprender a aprender, de tempos em tempos, ser banhado com uma leve cobertura de nova cultura e jamais ficar longe de uma instituição de ensino. Que sejam feitos mestrados, MBAs, doutorados, pós doutorados, vida em curso constante, para que a inteligência, um dia, se dê.”.

Esta parece ser a nova ordem, o padrão vigente: um diploma na parede e um comprovante de matrícula na mão. Uma escola que institucionaliza o ser humano em sua mais tenra infância e não mais o liberta, até o fim de sua vida, e não reconhece qualquer saber adquirido fora de seus muros, longe de suas cátedras.

Em uma sociedade com tais paradigmas, a escola deixa de cumprir o seu papel essencial: a emancipação do ser.

Sei que ignoro muitas coisas e, talvez, por isso, gosto de ler, de me informar, ouvir pessoas, debater idéias. Há muito que não sei, mas sei que não posso temer afirmar aquilo que sei.

Logo mais, irei ao cinema e quero pagar inteira.






Comentários (43)


Enviado por: Sheila Ferreira    Em: 08/06/2010


César, você traz coisas muito importantes de serem discutidas, talvez, uma longa tarde seria insuficiente. Temos uma história que se assemelha quando apresenta sua famíla, que inclusive me emocionou. Vivemos num momento de crise, crise das instiuições e a família é a primeira delas. Não se assume o papel e tudo fica por conta da escola, que se limita e cumprir protocolos burocráticos para atender números, pastas, com uma política paternalista que vive de pão e circo, que se distanciam dos seres humanos. Numa pedagogia hipócrita de afeto, mas que se esquece que O AMOR NÃO ENSINA A TABUADA. Mas cabe a s escola dar conta de tudo? Quando a família, primera instituição voltará, assumir o seu posto? Um abraço, Sheila

Autor Responde: Sheila,

É verdade; o perfil da família mudou muito e há, hoje, uma visão bastante distorcida quanto ao que deve ser o papel da escola.
A escola ainda é um ambiente em que as relações humanas podem se dar de forma mais verdadeira e, deste ponto de vista, é claro, é desejável que a escola seja um ambiente acolhedor, encorajador e fraterno. O que não pode ser esquecido, porém, é que a escola é o ambiente da cultura, do estudo, da construção do conhecimento e, como você bem apontou, este papel não vem sendo cumprido a contento.

Um abraço e muito obrigado por comentar,

César





Enviado por: Divonilde Pereira dos Santos Silva    Em: 06/06/2010


Fico-lhe grata por compartilhar conosco saberes diversos e, tal ato me remete à reflexão sobre o que poderia agregar mais valor: se o conhecimento apregoado nos centros acadêmicos ou se o que agregamos ao longo da vida - nem sempre tão fluída quanto se supõe. Talvez a junção dos dois - dirão alguns... Mas quem irá saber, se para a verdade absoluta não há detentor? Um abraço, Diva

Autor Responde: Oi, Diva,

Também não creio em saberes e respostas absolutas. Sinto, apenas, que escola vem, ao longo dos anos, deixando de ser um centro de construção e difusão do conhecimento, ao passo que os centros acadêmicos vêm "parcelando" a venda desse conhecimento pela vida afora...

Fico igualmente grato por sua presença aqui.

Um abraço,

César





Enviado por: ivan bueno    Em: 31/05/2010


Muito interessante o texto e as comparações. A política educacional e a mudança das práticas pedagógicas vem prejudicando a qualidade do ensino. Fica a pergunta. A quem interessa a institucionalização do ser humano?

Autor Responde: Ivan,

São muitos os interessados, pode ter certeza. De governantes a "vendedores de cursos", muitos ganham com isso.
A importância da educação e dos estudos deve ser protegida, sempre. A institucionalização do ser humano (a eterna dependência, a falta de autonomia), porém, não pode ser aceita.

Um abraço e obrigado por participar,

César





Enviado por: Silvio Luiz de Oliveira Cursi    Em: 31/05/2010


Olá César! Quero primeiramente parabeniza-lo por ter colocado em evidência um assunto que cada vez mais tem nos tem feito pensar. O seu pai, o pai do marcio e o meu pai vieram de uma época em que a educação escolar era encarada com maior seriedade englobando princípio, meio e fim, dando condições inclusive para que muitos se tornassem auto didatas se assim o quisessem. Já, os que seguiam rumo ao curso superior, colavam grau se apenas e somente apenas estivessem devidamente preparados. Hoje, além de vermos a decadência na área da educação, querem nos fazer reféns dos "pós" existentes e com qual finalidade? Sermos exigidos por pessoas que talvez saibam menos que nós? Sou totalmente a favor da constante capacitação profissional, independente de área, mas totalmente contra a escravidão acadêmica sem maiores objetivos, mesmo porque é a prática, o dia a dia que nos fará mais experientes e em condições de desenvolvermos o nosso melhor. Precisamos mais de apoio e reconhecimento propriamente ditos no intuito de alcançarmos objetivos comuns; haja vista o exposto pelo colega Daniel e olha que de injustiças eu entendo muito bem. Um grande abraço César, desejando que você continue na sua batalha, sobretudo na demonstração da competência que lhe é peculiar, contagiando de maneira sempre positiva os alunos e amigos, sem se importar com a cegueira do sistema cujos dominantes fazem questão de bagunçar cada vez mais.

Autor Responde: Silvio,

Agradeço, em primeiro lugar, pela leitura lúcida que você fez do texto proposto aqui neste fórum. Você separou bem duas preocupações que, de fato, são distintas: de um lado está a necessidade de estudo e aperfeiçoamento constantes (e disso, não podemos abrir mão jamais), e, de outro, está a "escravidão acadêmica" tão bem apontada por você. Em um sistema de ensino que foi "assimilado" pelo mercado, muito interessa vender e prometer tudo para a pós da pós da pós...

Um grande abraço e, uma vez mais, obrigado,

César





Enviado por: Silvio Luiz de Oliveira Cursi    Em: 31/05/2010


Olá César! Quero primeiramente parabeniza-lo por ter colocado em evidência um assunto que cada vez mais tem nos tem feito pensar. O seu pai, o pai do marcio e o meu pai vieram de uma época em que a educação escolar era encarada com maior seriedade englobando princípio, meio e fim, dando condições inclusive para que muitos se tornassem auto didatas se assim o quisessem. Já, os que seguiam rumo ao curso superior, colavam grau se apenas e somente apenas estivessem devidamente preparados. Hoje, além de vermos a decadência na área da educação, querem nos fazer reféns dos "pós" existentes e com qual finalidade? Sermos exigidos por pessoas que talvez saibam menos que nós? Sou totalmente a favor da constante capacitação profissional, independente de área, mas totalmente contra a escravidão acadêmica sem maiores objetivos, mesmo porque é a prática, o dia a dia que nos fará mais experientes e em condições de desenvolvermos o nosso melhor. Precisamos mais de apoio e reconhecimento propriamente ditos no intuito de alcançarmos objetivos comuns; haja vista o exposto pelo colega Daniel e olha que de injustiças eu entendo muito bem. Um grande abraço César, desejando que você continue na sua batalha, sobretudo na demonstração da competência que lhe é peculiar, contagiando de maneira sempre positiva os alunos e amigos, sem se importar com a cegueira do sistema cujos dominantes fazem questão de bagunçar cada vez mais.

Autor Responde: Silvio,

Agradeço, em primeiro lugar, pela leitura lúcida que você fez do texto proposto aqui neste fórum. Você separou bem duas preocupações que, de fato, são distintas: de um lado está a necessidade de estudo e aperfeiçoamento constantes (e disso, não podemos abrir mão jamais), e, de outro, está a "escravidão acadêmica" tão bem apontada por você. Em um sistema de ensino que foi "assimilado" pelo mercado, muito interessa vender e prometer tudo para a pós da pós da pós...

Um grande abraço e, uma vez mais, obrigado,

César





Enviado por: Nágila Maria Nascimento Gianelli    Em: 31/05/2010


Olá professor, parabéns pelo seu texto, me identifiquei bastante com ele e espero alcançar meus objetivos a cada dia que passa.Graças à Deus existem pessoas como você que é um exemplo de ótimo professor.Parabéns.

Autor Responde: Obrigado por suas palavras, Nágila.
Torço muito, também, para que seus passos sejam iluminados e todos os objetivos atingidos.

Um abraço e boa sorte,

César





Enviado por: Vanessa de C. Cruz de Lima    Em: 31/05/2010


Olá Cesar, gostei muito do texto, e creio que seja algo para refletirmos, mesmo porque, hoje em dia bem ou mal nos tornamos "escravos do saber", felizmente ou infelizmente. Na minha opinião, sempre temos que nos reciclar e sempre devemos estar abertos a novos aprendizados, por outro lado, vejo que a cada dia que passa, mais se distancia nossos sonhos da nossa realidade, porque no final, nunca estamos preparado para mercado. No meu caso por exemplo, nem terminei ainda a faculdade e já sei que não vou alcançar os meus objetivos se não fazer um curso de inglês, e não vou parar por aí, logo vou precisar fazer outra faculdade, ou uma pós em produção de texto ou algo relacionado, e o que mais será que vão estar exigindo, quando eu finalmente terminar essa faculdade? Nesse ponto, eu acho que isso prejudica um pouco o nosso profissional, porque as pessoas que tem não tem tempo devido ao trabalho, que o pai não custeia a faculdade, ou não tem uma bolsa de estudos, o seu desempenho querendo ou não, fica comprometido se comparado com outra pessoa que tem todos esses benefícios e principalmente a pessoa que não trabalha para custear a faculdade o seu rendimento desde que ela realmente tenha interesse, sem dúvida é muito melhor. Mas enfim, comentários a parte vamos batalhar que o sol brilha para todos... Parabéns, muito bom poder participar.

Autor Responde: Vanessa,

O estudo, para quem acredita nele, é uma estrada infinita. Uma pessoa que reconhece o valor da cultura, do saber, do conhecimento, jamais deixa de estudar. No entanto, a sala de aula tem de representar uma etapa da educação de uma pessoa e não exercer o papel de tutela sobre o indivíduo. A escola, para cumprir, de fato, o seu papel, deve ser capaz de dar autonomia para o cidadão e não torná-lo dependente de uma instituição de ensino para o resto de sua vida. Para isso, porém, é necessário que a escola tenha qualidade, que o diploma que ela oferece tenha peso real e é aí que se encontra o grande nó da questão...

Obrigado, Vanessa. Fiquei muito contente, também, por sua participação.

Um abraço,

César





Enviado por: Cássio Pistoni    Em: 31/05/2010


Nosso sistema de educação é praticamente falido e o que salva é o comprometimento de alguns profissionais. A sociedade evoluiu, baniu as metodologias de ensino dos tempos de nossos pais (não há quero de volta), mas do que adiantou? Do jeito que está não pode continuar... Precisamos mesclar o ontem com o hoje, tomarmos nosso lugar como cidadãos e cobrar mudanças do governo. Um abraço Cássio.

Autor Responde: Cássio,

Você tem razão: também conheço ótimos profisisonais em atividade, pessoas que conseguem, ainda, realizar um trabalho digno dentro da sala de aula. Há muitos modismos na educação e, muitas vezes, uma precipitação em condenar o passado ao esquecimento. O novo não deve ser considerado bom só porque é novo, mas porque modifica, para melhor, algo que já não funciona mais. Querer o novo pelo novo é deslumbramento que logo vira decepção.
As cobranças são necessárias, sim, Cássio, e precisam ser feitas, inclusive, nas urnas.

Um abraço e obrigado por participar,

César





Enviado por: Alba Bela Pistoni     Em: 31/05/2010


Oi César, Leciono há apenas 1 ano e meio e sinto na pele a mudança que houve na educação. Não sei exatamente de quem é a culpa, mas uma coisa é fato: meus pais aprenderam muito mais no antigo 4º ano primário do que os jovens do ensino fundamental e médio de hoje. Parabéns pelo belíssimo texto. ALBA

Autor Responde: Alba,

O problema é sistêmico demais para apontarmos somente um culpado. Identificarmos o problema e sentirmos incômodo por sua existência já é algo positivo. A indiferença e a apatia seriam a nossa falência. Por outro lado, não sinto que nossas autoridades estejam verdadeiramente envolvidas e interessadas em resolver a questão, que é estrutural, que precisa de decisões e políticas sérias de governo. Temos eleições pela frente...

Alba, fico muito grato pela sua "presença" aqui neste fórum.

Um grande abraço,

César





Enviado por: Érica Pereira Dias    Em: 30/05/2011


Hi Teacher! It`s very good! Adorei este texto,pois como aluna me identifiquei muito,em numero,grau e gênero com esta realidade.Mais ainda não consigo ver a minha superação e total dedicação para atingir tais metas.Porquê por um lado busco mais uma formação profissional para o trabalho,e do outro tenho conciência de que quanto mais conhecimento,mais qualidade tenho a oferecer. Valeu!!!!até Teacher!

Autor Responde: Érica,

Sua busca por formação e aperfeiçoamento é necessária e válida. É importante que as escolas existam, que os diplomas existam e que muitas e mais pessoas cheguem a ter formação superior no Brasil. Por outro lado, importa, também, que os cursos dados não se pareçam com gomas de mascar, que perdem sabor e valor muito rapidamente e, logo, são descartadas.

Gostei de "encontrá-la" por aqui, Érica.

Um abraço e obrigado,

César





Enviado por: Eliane Pereira de Souza    Em: 30/05/2011


Saudações ao poeta! Saudades, prô!!! Ótimo texto, delicado, firme, prosa poética...A minha pergunta é: se questionamos tanto toda a estrutura educacional, se vimos a realidade massacrar mentes, potenciais, por que é tão difícil mudar? Há muito de comodismo por parte de alguns, há muito de medo, de impossibilidade, mas há outros que plantam a dúvida e nos fazem querer transformar. O ideal? Respeito às inteligências, individualidades, necessidades (hoje, muito mais emocionais que sociais)...Respeito à profissão e a origem da palavra professor (há aqueles que ainda acham que licenciaturas são alternativas "mais fáceis" para conseguir "um diploma"). Às vezes, dá uma sensação de impotência...por hora, quero ser instigadora de um outro ser, como fui instigada por alguns, como você. E espero continuar sendo. Inteligência é exercício, e isso não se aprende só em Universidades. Beijos, prô.

Autor Responde: Oi, Eliane,

É um prazer recebê-la aqui.
Sobre sua pergunta, é claro que não tenho a resposta (rs), mas, somente, uma modesta opinião: falta-nos exercício de cidadania. O centro onde as decisões são tomadas parece estar, sempre, distante e acima de nós. A forte presença dos meios de comunicação de massa em nossas vidas aumenta o sentimento de impotência e inferioridade. Parece só ter voz audível aqueles que têm presença constante em emissoras de televisão, rádio, nas páginas de jornais e revistas, "instrumentos" que não estão ao alcance de todos.
O incentivo velado ao individualismo (competição e consumo) é outro fator que prejudica a busca de soluções que pedem atuação coletiva. Porém, como você mesma disse, "inteligência é exercício" e, pelo exercício da inteligência, da sensibilidade e do bom senso, acredito que ainda podemos mudar.

Beijos e obrigado,

César





Enviado por: Cristina Mendonça    Em: 30/05/2011


Autor excelente, com analogia inteligente e estrategicamente exposta para propiciar melhor compreensão do leitor. Sou fã de carteirinha dele, com quem aprendo muito. A leitura é um instrumento de evolução do indivíduo, transformando-o num agente participativo na construção da sua individualidade. Um forte abraço, Cris.

Autor Responde: Olá, Cris,

Ler é trabalhar em uma construção interior: construção de um ser humano mais consciente de si e, por isso mesmo, mais aberto à aceitação do outro.

Muitíssimo grato por suas palavras.

Um grande abraço,

César





Enviado por: Deiró Muniz    Em: 30/05/2011


Gostei bastante do texto. Sua escrita é sempre clara, com um ritmo que parece se concatenar ao desejo de leitura de quem o percorre. As reminiscências que você apresenta são para mim familiares, devido a ter presenciado parte delas. O conteúdo clama pela verdadeira vida, pela sinceridade, sem mágoas, sem mentiras, sem enganos, sem construções no ar. Abração do Deiró

Autor Responde: Oi, Deiró,

Digo que, além de presenciar, você compartilhou do mesmo chão que meus pais pisaram e foi além, movido, possivelmente, pelo mesmo tipo de essência que os fizeram valorizar a educação, a cultura, o amor ao saber.
Agradeço muito pela participação e pela poesia de suas palavras.

Um grande abraço,

César





Enviado por: Plácido Rodrigues    Em: 30/05/2011


Muito bom. As comparações do ensino com o anel foram excelentes. Um dia, quem sabe, pagarei inteira no cinema, quando, quem sabe eu conseguir sair de uma instituição de ensino e resolver ler um livro simplesmente para o meu conhecimento, sem ter de pensar nas características do autor ou na escola literária a qual ele pertence para poder "responder" um monte de perguntas em uma prova com questões alternativas. Meu pai faz contas e escreve melhor do que muita gente que conheço que tem curso superior, e ele tem apenas o quarto ano. Não sei se digo que isso é um orgulho para mim ou se é uma decepção. Orgulho-me de meus pais, claro, mas como aceitar que, quanto mais tempo se "estuda" menos se aprende? Creio que o ensino de qualidade, hoje, é quase uma ficção científica. Diploma não define conhecimento, mas mais e mais a sociedade impõe essa necessidade, como se um papel resumisse tudo que uma pessoa aprende. Sigo essa moda, mas dobro as barras das calças para parecer um pouco diferente. Abraço, meu querido! Seu aluno, Plácido Rodrigues.

Autor Responde: Oi, Plácido,

Nossos pais aprenderam na base do "b+a= bá, b+e=be...", passaram pela "decoreba" da tabuada, enfim, passaram por "práticas pedagógicas" que, hoje, são inaceitáveis. Depois de décadas de grandes avanços tecnológicos e mudanças comportamentais, não se pode querer o retorno às práticas do passado. Os seres humanos de hoje continuam sendo inteligentes e capazes de aprender. O que mudou, creio eu, foi o conceito, o valor, o reconhecimento e o espaço dado à educação e à cultura em nossa sociedade. É um problema de proporção que precisa ser resolvido: antes, com pouco, muito se fazia. Hoje, com muito, pouco se faz. Não podemos ignorar, ainda, que muito do atual quadro se deve a políticas educacionais equivocadas e à transformação, por parte de muitas instituições, da educação em mercadoria. Uma educação além da moda seria melhor para todos nós...

Um grande abraço e obrigado pelas reflexões,

César





Enviado por: Daniela Alves da Silva    Em: 30/05/2011


Em primeiro lugar quero parabeniza-lo pela pessoa, professor e amigo que você é..sou uma ex-aluna e apaixonei-me pela poesia e literatura através das suas aulas...Esse texto relata bem a infância dos meus pais que também não tiveram a oportunidade de completar seus estudos mas não permitiu ocorrer o mesmo com os filhos... faz lembrar-me o processo que passamos durante anos na escola,universidades e etc..e a importância de estarmos sempre buscando o conhecimento que nos é necessário nesse mundo tão competitivo ..... Grande abraço!!! Felicidades!!!

Autor Responde: Daniela,

Fico muitíssimo grato por sua "presença" aqui. Esta semelhança de trajetória entre as famílias mostra que a geração que nos antecedeu nutriu-se de valores substanciais, razão pela qual fomos incentivados a estudar, a valorizar o conhecimento, amar livros... Precisamos, agora, descobrir como passar o bastão adiante...

Um grande abraço para você também,

César





Enviado por: Marcio Cesar Bassuma    Em: 29/05/2011


César, nota-se que a geração que nos antecederam (nossos pais) estudaram até a quarta e terceira série do ensino primário, sendo que meu pai obteve também a mesma facilidade para os cálculos matémáticos. Parece que havia uma sintonia maior no ensino, onde havia uma metodologia que ressoava em uníssono, mesmo nossos pais residindo em Estados diferentes, estudando em condições inóspitas, havia algo que prevalecia. Infelizmente hoje, o presente é algo preestabelecido, sendo os destinos traçados, não mais como outrora; para as classes abastadas, existe a pressão e cobrança de se atingir o que proverá a continuidade da vida social confortável em que se encontram, enquanto os desprovidos dos recursos para cursar Instituições Públicas sonham em chegar apenas a frequentar uma faculdade (particular em sua maioria). O que vem ocorrendo, é que a desigualdade de classes, dá oportunidade para quem, às vezes, não tem o talento e amor em executar, e principalmente desempenhar a graduação escolhida. O processo de formação profissional é continuado, não é possível estagnar por ter atingido um Doutorado, muitos acreditam serem dotados de uma verdade imutável e um conhecimento absoluto, a humildade deve ser uma qualidade a ser executada com frequência. Um bom exemplo disso, é o trecho onde menciona que seu pai, após passar por várias etapas da construção civil, chegou a Mestre de Obras, onde o talento e cálculos se sobressaiam aos dos engenheiros e arquitetos, tendo prevalecido a palavra do Mestre de Obras, um papel pendurado numa parede não diz quem você é, suas ações serão sempre mais importantes. Quem faz o destino somos nós, há muito a escola não cumpre o seu papel; para seus pais os meus, a escola possibilitou que o conhecimento perdurasse e fosse aplicado no futuro, possibilitando que conseguissem sobreviver e criar uma família, quantos hoje, com nivel superior encontram-se desempregados, faculdade não é sinônimo de estabilidade, é preciso talento e personalidade para escolher o que fazemos de melhor, será a chance de fazer a diferença, cabe a cada um, rebuscar em si a tão aguardada resposta...

Autor Responde: Oi, Márcio,

Algo que vem me chamando a atenção nestes dias de fórum e que eu não imaginava ser tão forte antes de publicar o texto aqui é o quanto muitas histórias de vida são parecidas com a nossa: pais de origem humilde, vindos do interior, com pouca educação formal, mas com uma educação que lhes serviu para se posicionarem diante dos desafios da vida.

Em momento algum defendo o retorno aos modelos de educação do passado. Sinto, contudo, que precisamos de uma educação que seja capaz de fazer com que esta e com que gerações futuras tenham conhecimentos consistentes, cursos bem dados, saberes relevantes, cultura bem enraizada e diplomas que superem a prova do tempo.

Fico muito grato por seu comentário, Márcio.

Um abraço,

César





Enviado por: Daniel da Silva Correia    Em: 29/05/2011


Olá César! quero compartilhar nesse fórum uma experiência que vivenciei a poucos dias, e que tem a ver com esse tema. Trabalho no ramo Metalúrgico há algum tempo.E desde o primeiro dia de serviço procurei adquirir todo conhecimento necessário para progredir profissionalmente,fiz cursos livres, e continuo estudando. Há poucos dias surgiu uma possibilidade de promoção na empresa, eu era o candidato "favorito". Fiquei em uma tremenda ânsia: fiz a barba, passei perfume, lustrei a bota só esperando o momento de ser convocado.Hã! Os dias foram passando, passando e continuei acreditando. Me enganei.Meu perfil não se enquadrou totalmente ao que a empresa necessitava. Concluindo fiquei sem a vaga, devido a R$ 100,00 a mais que recebo em relação ao que eles queriam pagar.E continuo convicto que esses R$ 100,00 vão transformar minha vida. Ou a da empresa.

Autor Responde: Olá, Daniel,

Pelo seu relato é possível observar um claro conflito: uma boa parte do empresariado (a menos inteligente, parece-me), quer que o profissional seja bem qualificado, mas não está disposta a pagar por essa qualificação. Eis aí um modelo de administração obsoleto, carente de reeducação.
Desejo-lhe maior sorte, Daniel, e que esses cem reais se multipliquem em empregos vindouros.

Um abraço,

César





Enviado por: Léo    Em: 29/05/2011


Olá César, texto excelente! Deleite total para quem sabe escrever, e para nós pobres mortais que nos viramos com a nossa lingua. Concordo plenamente com suas palavras ao dizer que passamos a vida dentro de uma escola e quando nos deparamos com a realidade do mercado, nos sentimos inúteis. Tantos anos estudamos para nunca estarmos preparados para nada. Acredito ainda que muito dessa desilusão que temos ao nos formarmos, é encontrar um mercado que cobra cada vez mais títulos, e não leva em consideração a experiência pessoal ou até mesmo a própria intuição para uma determinada função. Muito disso acontece até mesmo pela educação que temos em casa, que nos instrui quase que em sua totalidade a sermos servis e sempre pensarmos em nos formar para trabalhar para os outros e nunca para nós mesmos. Uma boa educação empreendedora seria também necessária para o ponto de partida dessa discussão, não acha? Continuo admirador do seu trabalho e desejo vida longa a essa participação aqui no AB. Abraço; Léo www.acessebonsucesso.com.br

Autor Responde: Léo,

Eu é que sou grato pelo generoso espaço cedido pelo "Acesse Bonsucesso" e pela atenção que venho recebendo.
No que diz respeito ao tema de nosso debate, falta, sim, um olhar que respeite, ao mesmo tempo, a pluralidade social e a singularidade, essência de cada indivíduo. O sistema educacional "comprou" uma idéia muito perigosa que parece pertencer ao mundo corporativo: a padronização. Pretender que todos adotem uma linguagem padrão, um programa padrão, uma avaliação padrão, uma conduta padrão, é algo que desrespeita, e muito, as ricas diferenças culturais.

Um grande abraço,

César





Enviado por: ELISANGELA DE O. XAVIER    Em: 28/05/2010


Parabéns pelo texto muito bem escrito. Sou sua aluna e admiradora. Penso que a exigência da sociedade e do mercado de trabalho por um número cada vez maior de diplomas e certificados não foi diretamente proporcional ao aprimoramento do sistema educacional. Infelizmente, o indivíduo 'é obrigado' a passar boa parte de sua vida dentro de instituições de ensino, sair com diploma e pouco conhecimento. Eu trabalhei em uma Empresa por 16 anos. Existia 'uma cobrança' para que eu estudasse, mas um curso pertinente à área de atuação da Empresa (bancária). Não encontrava motivação para estudar porque não gostava do que fazia. Fui encontrar motivação para estudar o que eu realmente gosto, depois que sai da Empresa. Posso afirmar que voltar a estudar depois de 20 anos, foi uma das melhores coisas que me aconteceram. Estudo porque gosto, sem perspectivas de aumento de salário ou cargos melhores. Acho que esse é o problema, hoje, a maioria das pessoas pensam no retorno financeiro que o diploma pode trazer.

Autor Responde: Elisângela,

Em primeiro lugar, obrigado por suas palavras.
Em segundo, falando de seu comentário, sempre vi a "auto-regulação" do mercado com bastante desconfiança. Sempre que se tenta suprir as demandas do mercado para formar profissionais em uma determinada área, o que se tem é desequilíbrio e, em curto intervalo de tempo, saturação deste mesmo mercado. O curso "da moda" hoje será o do mercado saturado, o do profissional mal pago, o do desemprego amanhã.
Creio que uma sociedade, para ser equilibrada, deva formar profissionais para todos os setores da economia e aí, é claro, valem muito os pendores naturais aos quais você se referiu.
É preciso motivar pessoas e oferecer oportunidades para que conheçam o universo das ciências. A escolha consciente cooperará muito para a formação de bons profissionais, inspirados por uma vocação genuína.

Abraços,

César





Enviado por: adafraga    Em: 28/05/2010


Adorei seu texto muito bem escrito, explicitando uma realidade que existe, de que se tem que estudar cada vez mais até que o saber seja cada vez maior, e quanto mais se aprende mais se quer aprender. Isso nos mostra também que quando queremos de verdade chegamos onde queremos, como foi o seu caso. Por outro lado, fica em xeque o valor do ensino, que nos foi dado? Acho que há um exagero na competitividade, até onde isso nos levará? Você é ótimo escritor, César! Quero parabenizá-lo por sua retílinea vontade de chegar onde está! Grata por ter me convidado! Saudações poéticas!

Autor Responde: Ada,

Quando tudo é provisório, tudo é colocado em xeque, o tempo todo. Muitas coisas foram feitas para durar, mas a necessidade gerada, artificialmente, pela sociedade de consumo faz com que bons artigos sejam postos de lado. O que vale para roupas, calçados, refrigeradores, televisores, celulares, computadores, automóveis, "migra", também, para outros bens que foram "coisificados". É o caso da educação que, infelizmente, entrou no rol das produções industriais: consumo rápido e rápida reposição por um produto mais novo. O de ontem, por ser de ontem, tem menos valor...

Fico muitíssimo grato por ter participado, Ada.

Saudações poéticas,

César





Enviado por: Luciana dos Santos Ferreira    Em: 28/05/2010


Olá César, gostei muito da associação que fez em relação à família e como era considerada a educação antes, até chegar nos dias de hoje. Realmente, o grande dilema da nossa sociedade, precisamos a todo momento provar nossa ascensão cultural para obtermos a ascensão social. Não basta uma graduação,"devemos" cursar uma pós, provavelmente não bastará o mestrado, e sim, algum curso sempre mais "elevado". Precisamos provar o que somos com certificados. Certificar sobre o que sabemos? Não somos completos...e nunca seremos.

Autor Responde: Luciana,

Penso que, hoje, a graduação não basta porque o próprio sistema educacional não confia mais na formação que oferece. É um grande contrasenso que o MEC autorize graduações em dois anos, que reduza cursos de licenciatura para três anos, que permita que os cursos universitários sejam vendidos como mercadorias (como aparecem na TV: "faça graduação e pós ao mesmo tempo"...), e, depois, cinicamente, cobre qualidade de ensino.
No mais, Luciana, como você mesma disse, nunca seremos formados porque somos seres em formação, capazes de aprender, sempre, dentro e fora da escola.

Um abraço e obrigado por participar,

César





Enviado por: Solange Azevedo    Em: 28/05/2010


César, Parabéns pela clareza e pela lucidez do seu texto. Hoje em dia, a "educação" também pode ser encarada como um bem de consumo. Somos forçados a turbinar o currículo com cursos e mais cursos que, muitas vezes, não querem dizer absolutamente nada. Solange

Autor Responde: Solange,

"Turbinar o currículo" é uma ótima metáfora para descrever a obrigatoriedade constante de provarmos que não paramos no tempo, que continuamos estudando, como se tal ação só pudesse acontecer dentro do ambiente escolar. Há cursos que nos dão a clara certeza de que teríamos aproveitado melhor o tempo se tivéssemos ficado em casa lendo um bom livro.
O estudo nas instituições de ensino só cumpre plenamente o seu papel se nos conduz a estudar fora delas.

Obrigado pela "presença" aqui, Solange.





Enviado por: Honeybee    Em: 28/05/2010


Que texto incrível!! Impressionante a associação do anel com a educação! Acredito que somos escravos das convenções! Nos limitamos a inovar, a mudar coisas que "não funcionam", mesmo cientes disso. E por que só o diploma carrega o saber de alguém? A vida prática é carregada de saber e, às vezes, um diploma, dois, três e inúmeras graduações não são suficientes e não passam, apenas, de títulos inúteis! Beijos! Parabéns pelo trabalho!

Autor Responde: Olá, Honeybee,

Agradeço pela leitura e pelo relevo que deu à imagem do anel. A lembrança do brilho daqueles pequenos anéis que vinham dentro de uma "caixinha supresa" e que, pouco tempo depois, perdiam a "camada de encanto" foi, de fato, uma imagem que me ajudou a traçar o quadro do que vem acontecendo com a "camada de escolaridade" que recebemos.
Encaro a educação formal como necessidade para uma etapa da vida. Não posso concordar, porém, com a eterna cobrança por títulos e sucessivas passagens, vida afora, pelos bancos escolares.
Insisto em um ponto que julgo ser crucial neste texto: se a escola não é capaz de ensinar a estudar, a ler, a se atualizar fora dela, a escola não está cumprindo o seu papel fundamental.

Beijos e, uma vez mais, obrigado,

César





Enviado por: Anderson de Oliveira Lima    Em: 28/05/2010


César, gostei do seu texto e principalmente da "emancipação do ser" como meta do sistema educacional. O problema que tentou expor é sistêmico e profundo, leva as pessoas às escolas, mas não lhes ensina que o importante daquele evento é aprender para aplicar fora da sala de aula. Daqui 15 dias termino meu mestrado, já fazendo provas para o doutorado. Sou bacharel, especialista, além de ter feito diversos outros cursos. Sei o é que viver na escola, e tenho aprendido que a escola existe para o mundo, para a vida. Você sabe que centenas de notas de rodapé e dezenas de páginas de bibliografia num trabalho acadêmico não são sinônimos de educação, de maturidade, de criatividade... Sua reflexão é muito útil, e suas conclusões muito atuais. Pena que ainda vou ter que pagar meia por mais alguns anos, afinal, sem diploma o mundo não nos ouve com a mesma atenção. www.compartilhandonoblog.blogspot.com

Autor Responde: Anderson,

A "emancipação do ser" que você destacou é, de fato, o cerne do texto e da proposta deste debate.
Concordo com você plenamente, também, no que diz respeito às demonstrações de erudição vazias. Conhecimento que não se põe a serviço do outro, a serviço da vida, é conhecimento vão.
Penso, ainda, Anderson, que o problema não está no diploma, mas na provisoriedade que os diplomas parecem ter hoje em dia. A habilitação recebida tem de ser um compromisso para a vida toda. O saber é cumulativo, mas a aquisição deste saber não se dá somente nos bancos das universidades. Depois de concluída esta etapa de estudo (voltando ao início), é necessário que se confie ao profissional a autonomia de seus próprios estudos. Não devemos ser estudantes, mas estudiosos, sempre.

Um grande abraço e boa sorte em sua próxima etapa pagando meia... (rs).





Enviado por: Nádia Muniz    Em: 27/05/2010


Olá, César! Como sempre, as leituras dos seus textos são ótimas! Bem interessante a ligação que você faz do "ontem" com o "hoje". Foi muito bom racionar sobre tantas semelhanças e, ao mesmo tempo, tantas diferenças! Os valores do nosso mundo estão invertidos. Sempre ouço dizer dos mais velhos que, antes, tudo era melhor. Em parte, concordo, mas creio que esse melhor se deva às dificuldades de anos passados. Não havia toda a facilidade que temos hoje, como modernos meios de comunicação, avanços da medicina e da ciência, equílibrio econômico (de um modo geral, claro). Como diz o ditado: "a dificuldade faz a criatividade". Como, hoje, as pessoas não têm tanta dificuldade assim, acabam não dando valor à facilidade que têm de obter tantas coisas importantes, como o aprendizado e a cultura. Em vez de lerem um livro, perdem tempo com programas de televisão inúteis, por exemplo. Parabéns pela reflexão! Abraços. Ah... eu pago inteira no cinema... rs.

Autor Responde: Existe mesmo, Nádia, essa tendência de "romantizar" o passado. Não penso no passado como algo a ser revivido, mas como experiência importante para se avaliar o presente: no que melhoramos e que tipo de essência perdemos. Sobre as dificuldades, bem, pelo que sei, até mesmo a culinária se desenvolveu pela falta de alimentos "convencionais" em tempos de guerra. É desejável, todavia, que não precisemos de mais guerras para criar novos pratos. Que o estudo e a consciência nos salvem...
Muitíssimo obrigado pela presença aqui, Nádia, e bom filme para você. (rs)





Enviado por: Elaine Novaes    Em: 27/05/2010


Oi, César, Tenho alimentado tantos sentimentos próximos ao que você escreveu... Lembro do meu querido pai de uma forma muito parecida com a sua, ficava impressionada em vê-lo fazer contas " de cabeça" e, ele dizia com orgulho "tenho o quarto ano". Acredito que esse orgulho de saber como fazer e ponto, está realmente distante da nossa realidade, simplesmente nunca saberemos o suficiente ou teremos tempo para buscar informação para uma realização pessoal ou por simples deleite, o compromisso profissional nos condiciona ou aprisiona, depende do momento. Lembra do filme Tempos Modernos(Charles Chaplin) E bem por aí... Bjs Elaine.

Autor Responde: Elaine,

A educação que nossos pais tiveram pertence àquele tempo, não temos como e não faria sentido algum tentar voltar a ela; era um outro tipo de ser humano, um outro jeito de ser e se postar diante da vida e do mundo. No entanto, a educação que receberam, por pouca que fosse, foi suficiente para que eles soubessem se conduzir e construir suas vidas, algo que, infelizmente, o sistema educacional não consegue promover hoje.
"Tempos Modernos", Elaine, é um de meus filmes prediletos...

Beijos e muito obrigado por participar,

César





Enviado por: Tathiane Kamila Mauricio    Em: 27/05/2010


Olá César! Incrível perceber as mudanças sociais em meio a tanta loucura. Que saudade do curso de datilografia, aquele de "tecla cega", que nos promovia à secretária qualificada e nos aprovava em cargos importantes dentro de determinadas empresas. Não, não estou dizendo que devemos regredir no que se refere à conhecimentos científicos, imagina! O que afirmo é que tão pouco vale o conhecimento empírico frente àquela vaga tão cobiçada. O diploma universitário "perdeu" seu valor para o mercado financeiro / social, e hoje, infelizmente, disputamos uma "vaga" na sociedade, que nos rotula conforme nosso grau de "diplomacia" comprovada. Para o meio capitalista, a educação deixou de ser direito adquirido e, para alguns, passou a ter o papel de vilão. Institucionalizou a cidadania e decretou que só temos o valor que o diploma pode apresentar, ou seja, sem a tal pele de carneiro entre os dedos, nos redimimos à virtualidade social. Essa dualidade de importâncias só me leva a questionar o quão vale, realmente, o esforço dispensado na busca do aprimoramento pessoal, da descoberta do eu e do que eu sou nesse ninho de nós que não se desatam. Pode ser loucura, viagem, sei lá... sei que, mesmo assim, se não corrermos atrás, ficaremos a "ver navios", à verdadeira "espera de um milagre", que não vai acontecer! Ótima Semana!

Autor Responde: "Correr atrás" e, de preferência, alcançar, é algo do qual não podemos abrir mão, não é mesmo, Tathiane? (rs)

Não imagino que possamos, a esta altura de nossa história, abrir mão dos diplomas. Queremos que o médico, o engenheiro, o arquiteto, o dentista, o advogado, o professor, entre outros profissionais de formação superior, mostrem, de alguma forma, que se dedicaram aos estudos para exercer suas funções com a desejada competência e zelo. Não defendo, portanto, neste artigo, um mundo sem diplomas, mas, sim, que a mesma sociedade e o mesmo sistema educacional que conferiram estes diplomas respeitem a autonomia que estes profissionais podem e devem ter após a conclusão de seus cursos.
O profissional que parou no tempo é um mau profissional. Não se pode, contudo, concordar que, para provar que não parou no tempo, uma pessoa fique vinculada a instituições de ensino o resto de sua vida. Defendo a idéia de que os cursos superiores resgatem um padrão de qualidade para que os cursos de pós não sejam, meramente, como são hoje, cursos para complementar a formação que deveria ter sido dada em etapas anteriores de estudo. Se um indivíduo nunca for considerado preparado, consciente e emancipado para seguir seus estudos por conta própria, a escola deixou de cumprir seu papel fundamental.

Obrigado pela "presença" aqui e uma ótima semana para você também, Tathiane.

PS: O casco do navio já foi arrumado... (rs)





Enviado por: Elaine Campos    Em: 26/05/2010


Seu texto me fez refletir sobre o que me pareceu ser um grande esforço e desperdício de tempo e de recursos, passar em média 17 anos dentro de uma instituição de ensino, para chegar à conclusão de que vários outros “comprovantes de matrículas” serão necessários. Em nossa cultura atual, muitas vezes, o “ter” parece ganhar cada vez mais “status”. Então, "ter" um mestrado, doutorado, ou outro título similar, passa a ter maior importância do que ser um profissional na busca constante do aprimoramento como "ser" humano, "ser profissional responsável e "ser" indivíduo. “Ser,” no meu entendimento, seria o “compromisso tácito”, mencionado em seu texto. Acredito que a especialização via MBA, mestrado ou doutorado seja importante e até necessária, mas para aprofundar o conhecimento, obter novas informações, trocar experiências e amadurecer. Portanto, sem a premência que se observa atualmente. Finalizo com uma frase de Hubert Markl, que sintetiza nossa busca pela informação que transforma e que forma seres capazes de agir com autonomia na tomada de decisões: "O caminho da sociedade da informação para a sociedade do conhecimento é o caminho da informação para o significado, da percepção para o julgamento." César, Parabéns pelo texto! bjs, Elaine

Autor Responde: Elaine,

O grande problema de obrigar todo mundo a comer do mesmo bolo é que você tem de ter bolo para todos. Aí, para que ninguém reclame que não provou do bolo, você divide o bolo em partes minúsculas. Boa parte dos cursos de mestrados, MBAs e coisas que os valham entraram nesse bolo: uma linha de montagem que coloca mestres em prateleiras, mas sem muita substância. Vi, diversas vezes, dissertações de mestrado, financiadas por órgãos governamentais, que traziam como tema questiúnculas (o recorte do recorte do recorte do que poderia vir a ser um tema), banalidades como "Os bigodes como símbolo de 'status' no Segundo Império", ou, "Os sapatos como fetiche" e por aí vão... Asssuntos que, no máximo, dariam uma boa matéria para uma revista de variedades. Mestrados não podem ser transformados em um exercício estéril de pesquisa...
Gostei do que disse Hubert Markl, Elaine, e penso que já é tempo de partirmos para a sociedade do conhecimento.

Muito obrigado por sua participação.

Um beijo,

César





Enviado por: Denise Guilherme da Silva    Em: 26/05/2010


Super pertinente esse tema de discussão. Cada vez mais, penso que temos delegado a responsabilidade por nosso sucesso em qualquer instância da vida às instituições: escola, igreja, trabalho, família, casamento... O pior é que, no caso da educação, nos últimos anos, o mercado da "auto-ajuda" universitária tem crescido esponencialmente. Cursos rápidos, mestrados e doutorados oferecidos como tábua de salvação e garantia certa de colocação no "admirável mundo novo do trabalho". Cabe-nos perguntar em que lugar queremos estar nesse tabuleiro? Creio que o jargão que ressalta importância da famosa "escola da vida" só faz sentido quando consideramos essa experiência como uma oportunidade para estarmos em contato com nossa essência, valorizando a vida e o ser humano como o ponto central de qualquer busca que fizermos. Seja ela por conhecimento, integridade, sabedoria...ou mesmo por uma profissão que nos sustente e nos realize. Disso, nenhuma instituição pode dar conta sozinha. Mais do que conteúdos e disciplinas que são vendidos como passaportes para a "felicidade do mercado de trabalho", é preciso que o caminho da formação do ser humano seja traçado ao lado de pessoas que tenham projetos comuns (como no caso da sua família). Por relações que se construam com base numa pedagogia do cuidado e que tenham como foco a busca pelo equilíbrio e pela realização plena de toda potencialidade que cada um de nós possui. Nesse caso, sim, a vida, quando experimentada com lucidez, integridade e presença pode ser uma excelente escola!

Autor Responde: Denise,

Tenho grande apreço por aquilo que entendo ser o ponto central de seu comentário: a aproximação entre escola e vida. Não podemos ter um mundo escolar que não seja compatível ao mundo fora das instituições de ensino. Não quero, com isto, dizer que a escola deva reproduzir, pura e simplesmente, os valores do mundo. Ainda acredito que a educação seja um instrumento capaz de promover mudanças e, exatamente por esta razão, ela é tão importante. No entanto, mesmo dentro de universidades respeitáveis dentro da cidade de São Paulo, já ouvi, por parte de alguns doutores, frases do tipo: "...a academia não existe para propor coisa alguma para a sociedade. A academia existe para pensar...". Ora, numa sociedade tão carente de diversas coisas como a nossa, não sei se podemos nos dar este luxo: um universo acadêmico distante das grandes cruzadas da vida, das grandes necessidades humanas.
Da mesma forma que você, vejo com total suspeita faculdades que "vendem" diplomas como quem vende soluções milagrosas para a calvície, assim como também suspeito daquelas que não se propõem a assumir o compromisso de transformação humana.

Um grande abraço, Denise, e obrigado pelo rico comentário,

César





Enviado por: Fabiano Fernandes Garcez    Em: 26/05/2010


Olá, César, É um prazer estar também neste espaço com você. Acho que a minha história é um pouco diferente.Toda vez que eu aparecia com um novo livro ou disco, depois cd, minha mãe dizia para que eu parasse de comprar porcarias. Posso afirmar que a base de minha formação, principalmente, humanística, se deu por meio de meus livros e discos, não pela escola. Como professor, percebo que a escola ainda não mudou, nem sei se mudará, porém a pedagogia sim, e para melhor, os alunos também mudaram, acontece que essa nova pedagogia tem como alvo um aluno que já não existe mais. Lembro-me que nas aulas existiam textos inócuos ou fora de nossa realidade e a única saída era decorar a matéria, pois ela nada me dizia, como nunca fui um bom decorador, sofria, por outro lado eu tinha uma turminha para comentar e discutir sobre as letras de nossas bandas preferidas que acabavam por influenciar nosso comportamento e visão de mundo. Hoje as apostilas e livros trazem textos interessantes, atuais, com conteúdo, forma e linguagem acessível, porém os alunos não se interessam, e não se interessam por nada, nem por música, nem por filmes, nem por algo que traga um novo aprendizado, não têm qualquer tipo de idéias ou crenças ideológicas, são apáticos ou consumidores da cultura (sic!) de massa. Esse desinteresse se reflete em todos os níveis da educação: ensino fundamental ou médio, graduação ou pós, vejo que muitas pessoas passam pelas instituições de ensino e saem da mesma maneira que entraram, sendo assim é indiferente fazer ou não uma outra faculdade, fazer ou não uma pós, fazer ou não qualquer outra coisa ou nada fazer. Hoje perdeu-se a idéia do eterno aprendizado, seja dentro de instituições ou em casa ouvindo uma boa música, assistindo a um filme legal, lendo um grande livro ou apenas jogar conversa “para dentro” com alguém interessante.

Autor Responde: Oi, Fabiano,

Este estado de apatia que você aponta em seu comentário faz parte, segundo entendo, de uma crise de cultura que atinge várias sociedades. É, na verdade, uma crise de civilização que substituiu utopias por cinismo, ideais por bens de consumo. Um dos valores dominantes na sociedade moderna é associar a felicidade à capacidade de consumo de um ser humano: quanto mais ele pode comprar, mais feliz ele parece ser. Diante disso, é claro, a filosofia, a arte, a espiritualidade mais profunda e a educação ficam deslocadas, sem um lugar próprio para existir. Neste contexto, o estudo tem valor apenas pragmático: um certificado, um título, uma promoção... Mas não poderemos, por muito tempo, seguir desta forma. A necessidade terá de ser a mãe de nossa reinvenção e, sinceramente, acredito que essa reinvenção ainda é possível.

Fico igualmente feliz com sua presença aqui, Fabiano. Obrigado, meu amigo.





Enviado por: Solange Penteado    Em: 26/05/2010


Infelizmente hoje, ter um diploma universitário não é sinônimo de alto grau de conhecimento e uma vida estabelecida. Não somos mais o que queremos ser e quantos engenheiros ainda irão virar sucos? A experiência adquirida no exercício daquela profissão escolhida, hoje é quase irrelevante. O novo sempre vem e vem cheio de diplomas e especializações. A sociedade cobra títulos e mais títulos, obrigando-nos a entrar nesta competição. Instituições são abertas em qualquer esquina, banalizando o ensino universitário, onde muitos ali chegam sem o mínimo conhecimento prévio lá dos bancos da escola fundamental. Deve ser muito triste descobrir que fora enganado é o capitalismo que marcha sobre nossas cabeças.

Autor Responde: Solange,

Você usou um termo que julgo bastante precioso para descrever o que vem acontecendo com os cursos de pós e mestrado: banalização.
Pós, mestrados e doutorados deveriam ser destinados a pessoas que querem aprofundar suas pesquisas em um determinado campo de conhecimento. No entanto, tais cursos se transformaram em complemento da formação que as pessoas deveriam ter alcançado em etapas anteriores de seus estudos.
O argumento mercadológico também cabe muito bem a essa "obrigatoriedade" do vínculo infinito com as instituições de ensino.

Fico muito grato por sua presença aqui, Solange.





Enviado por: Andrea Affonso de André    Em: 25/05/2010


Olá, César, Não poderia deixar de participar. Minha história é parecida com a sua. Meus pais também tiveram pouca vivencia escolar, minha mãe completou o colégio com 25 anos. Mas sempre me incentivou no estudo e principalmente na leitura. Nunca me esquecerei do que ela dizia: " o estudo é a fundação da casa do caráter". Comecei na escola cedo, com 3 meses de idade. Sei que parece exagero, mas meus pais trabalhavam e eu ficava no SESI em tempo integral, sob um rígido programa educacional. Na adolescência desandei ligeiramente, achava a escola estadual pouco atraente, muito monótona e repetitiva. Foi nesse momento que me voltei as fontes de aprendizado alternativas. Lendo seu texto, lembrei de como eu contava os anos para sair da escola e ser "independente". Quando me formei no 2º grau, entrei na terrível realidade, nunca sairia. Terrível não porque terei que estudar até o fim de meus dias, mas porque nunca aceitaram e nem aceitarão meus conhecimentos adquiridos por outras vias. Só valerá para o mercado de trabalho e sociedade os diplomas e nomes institucionais. Sinto-me frustrada pelo fato de um pedaço de papel ser a prova indiscutível de que tenho o conhecimento pedido. Parabéns pelo seu trabalho. Continuo sendo sua fã. Beijos

Autor Responde: Andrea,

Mais que a obrigatoriedade dos diplomas, o que mais causa espanto, hoje, é que eles parecem vir com prazo de validade. O saber adquirido pouco é se não for seguido de cursos de capacitação ou formação continuada (nome bonito que arrumaram para substituir a tal "reciclagem" que, convenhamos, era horrível mesmo).

Agradeço muitíssimo por sua presença aqui.

Beijos,

César





Enviado por: Kelly Marques    Em: 25/04/2010


Olá César, Sabe que a primeira coisa que me chamou a atenção foi a apresentação que te fizeram no portal, achei curioso te denomirarem "um artista sensato" ... acho os termos antagônicos, fiquei tentando imaginar como seria isso ... Falando do seu texto, vivemos na era da especialização, até bem pouco tempo atrás, o sujeito precisa ser muito bom um item, era o expert em determinado assunto e isso bastava para que ele se destacasse. Hj não ... busca-se o profissional completo. Daí uma cobrança infinita de pais, professores, empresas de que vc precisa ser precoce em tudo, precisa entender de tudo, precisa viver a ditatura da escola e do conhecimento funcionalista. Hj não se pode perder tempo, se vc lê um livro, ele precisa ter um uso imediato, não pode ser pelo simples prazer. Inclusive nas campanhas de incentivo à leitura, a fala é a seguinte: "ler te faz crescer, te faz viajar por lugares que vc não conhece, é importante pra sua comunicação ..." não duvido que seja tudo isso ... só que tem um plus que é apenas de quem a experimenta pelo puro gosto, não se valoriza a experiência do deleite. E por isso que concordo com vc qdo diz que o sujeito é "folheado pela educação" ... a pessoa passa 17 anos estudando pra descobrir que ainda não alcançou a inteligência, que não tem um domínio pleno, que não é autônomo! Ora, de fato, é um discurso controverso! As teorias nos dizem que temos de tornar o sujeito liberto, autônomo, é no fim ... ele acaba por ser um eterno dependente da escola, pois, ao que parece, não há alternativas fora dela. Há muito o saber popular não é valorizado ... minha vó conhece todos os caminhos de sua área, mesmo em noites sem lua, mesmo na primavera, ela nem precisa de GPS pra se localizar ... ela sabe qual capim dar a algum animal, ela conhece as rezas que trazem a chuva. Ela não é engenheira de trânsito, nem veterinária ou mesmo metereologista ... minha vó é uma mulher que sabe olhar o mundo ... e dele tirar o aprendizado necessário à vida ... Obrigada por me fazer lembrar de tudo isso! Um grande abraço, Kelly

Autor Responde: Kelly,

Colhemos os frutos das contradições: o mundo do trabalho e do ensino que, ao longo de quase todo o século XX, criou, em sua linha de montagem, seres humanos especializados, de saber fragmentado, compartimentado, quer, hoje, que sejam criados seres humanos polivalentes, globais, conscientes de todas as etapas do processo de produção. Ocorre, porém, que são os primeiros (os fragmentados) que devem educar os pretendidos segundos (os integrais). E como se faz isso? Não se faz. Hoje não se faz bem nem uma coisa, nem outra. Em um mundo saturado de informação, a desinformação impera. Leva muito tempo para se restaurar o mal que é feito quando se perde uma geração. E é exatamente por isso que importa tentar impedir que mais gerações se percam por conta de políticas educacionais equivocadas.

Sua avó, Kelly, garanto, leria o livro que lhe desse na telha...

Um grande abraço e obrigado pelo vasto comentário,

César





Enviado por: valquiria    Em: 24/05/2010


Oi, querido, assim como outros, muito me identifico com seu passado.Meu pai, também, semi-analfabeto, me ensinou as primeiras letras.Minha mãe me incentivou o gosto pela leitura, através das fotonovelas que ela lia muito, além disso,sua infãncia foi bem parecida com a minha.Muito bom.Hoje me pego falando ao Bruno, meu filho, e aos meus alunos que¨diploma universitário¨só não basta, têm de ir além e, como já lhe falei, me sinto uma professora frustrada muitas vezes , pois parece que o que eu tento passar a eles não rende frutos .Enfim, essa conversa poderia durar horas e horas...Parabéns pela clareza de ideias e discernimento que só você consegue ter.Beijos e obrigada.

Autor Responde: Oi, Valquiria,

É um grande prazer poder contar com a sua presença aqui.
Penso que todo professor passa pelo mesmo tipo de sensação, pelo mesmo tipo de sentimento. É difícil mensurar o alcance de nossas palavras e ações (quer seja como pais, quer seja como educadores, ou, ainda, como pais-educadores). Diante da atual crise de cultura, crise de civilização, é necessário que se redescubra o papel que a família e a escola podem ter na formação de uma sociedade saudável, criativa, solidária, emancipada.

Muito obrigado e beijos para você também,

César





Enviado por: Antonio hirakawa    Em: 24/05/2010


Olá! tenho dois emails compercebem kkkk fui aluno deo Prf Cesar. Vi a matéria e achei super legal e gostaria de partiicpar tbm! O conhecimento aumenta o conhecimento, mas é praciso esforçoe busca-los!

Autor Responde: Antonio,

Uma das formas de participar é esta mesmo: utilize este quadro de comentários para deixar suas opiniões, suas dúvidas, enfim, para expressar tudo o que você pensa a respeito deste tema proposto.

Agradeço muito por estes primeiros comentários.

Um abraço,

César





Enviado por: antonio hirakawa    Em: 24/05/2010


ola!!!!!! gostaria de conhcer mais um pouco sobre esse projeto. sou deficiente visual e tbm gostaira de saber s e ha espaço voltadas ao este publico obrigado boa semana

Autor Responde: Oi, Antonio,

Vou encaminhar essa sua dúvida aos administradores do portal para saber se há algum espaço voltado aos deficientes visuais e pedirei para que entrem em contato com você.

Um grande abraço e boa semana,

César





Enviado por: Wagner Hilário Padula Borges    Em: 24/05/2010


Penso que o universo estudantil é, quase sempre, se não invariavelmente, profícuo. Ir à escola, à faculdade e, se possível, à pós e mais tarde se fazer mestre e doutor de modo algum pode ser ruim, mas não quer dizer que seja o melhor. Se não me falha a memória, a maior parte do grandes gênios da humanidade foi, essencialmente, autodidata. A disposição em se aprimorar sem uma exigência institucional é a maior riqueza que se pode ter. É uma exigência da alma. Infelizmente, vivemos em uma sociedade em que o livre pensador é taxado de aberração. Se não nos inserimos numas das linhas de raciocínio imperantes, somos psicologicamente apedrejados. Valores democráticos e igualdade de direitos não passam de peça retórica. Na prática, é proibido ser diferente, ser autêntico. Por essa e por outras que em nossa sociedade muitos profissionais são presentes que não podem ser abertos, pois quem os abrir descobrirá que o conteúdo não justifica a embalagem. Parabéns pelo texto.

Autor Responde: Wagner,

Estou de pleno acordo com todas as linhas de seu comentário. É inegável o bem que o estudo continuado, dentro das instituições de ensino, pode trazer. No entanto, a burocracia e a verticalidade das leis estatais, aliadas ao comércio educacional, não reconhecem o saber que é adquirido fora de seus domínios.
A imagem do "profissional embalado" que você criou é precisa para ilustrar o valor exagerado que se dá a diplomas em detrimento do conhecimento adquirido sem histórico escolar.

Obrigado pela rica intervenção, Wagner.

Um abraço,

César





Enviado por: Katia Duarte    Em: 24/05/2010


César, você conseguiu me levar de volta ao passado, onde pais com pouco instrução, conseguiam nos ensinar muito, nos incentivavam a ler , nos transmitiam bons princípios morais e a escola era uma extensão desses ensinamentos... Belo texto e reflexão, mais uma vez parabéns

Autor Responde: Kátia,

Fico igualmente grato por sua mensagem que é, na verdade, um depoimento de um período importante na vida de todos nós: este momento de convívio e aprendizado com os pais. A geração de nossos pais teve pouco acesso à instrução, mas tirou muito proveito da pouca instrução que teve, construiu um conhecimento válido e, com ele, construiu sua própria vida.

Um abraço e, novamente, obrigado,

César





Enviado por: Helena    Em: 24/05/2010


Caro César, Turbilhão de imagens passaram pela mente, remetendo-me à infância, sem tv, sem "internês", porém muito feliz ao lado da mãe natureza, onde as árvores e o riacho eram constantes companhias... Quem da "nossa geração" não teve semelhante experiência no interior desse imensidão que é o nosso Brasil? Obrigada pelo deleite, Helena

Autor Responde: Eu também agradeço, Helena, por compartilhar tantas paisagens interiores que ainda habitam você.

Um grande abraço,

César





Enviado por: Vanessa Rodrigues    Em: 24/05/2010


Cesar, Mesmo sendo filha única, nunca tive privilégios, iniciei meus estudos na rede pública, comecei a trabalhar com 14 anos, ajudando nas contas em casa, o colegial, atual ensino médio, pude custear em colégio técnico, ensino que fundamentou minha graduação e meu emprego hoje. Foi um período de muitas lutas e importantes conquistas. Sinto hoje que o sentido é outro, meu filho, hoje com dois anos, já está na escola com ensino diferenciado, colégio particular. Os valores estão mudados, mas acredito que mesmo que diferentes e apesar das novas gerações, famílias conscientes de seu papel procuram cultivar a essência das suas origens. Lindo texto. Parabéns. Lindo seu texto.

Autor Responde: Vanessa,

Agradeço pelos comentários feitos. Você tem toda razão: os valores estão mudados e, com eles, mudam, também, os próprios conceitos de educação. Não se pode voltar ao passado, é fato, mas essa preservação de "essência" que você menciona é fundamental para mantermos o otimismo de que podemos educar, sim, um ser humano para ser autônomo, inteligente, feliz, pleno e capaz de continuar suas buscas, seu aperfeiçoamento, por si próprio, depois de ter passado pelos bancos escolares.

Uma vez mais, obrigado, Vanessa.





Enviado por: Gabriela Inácio de Oliveira    Em: 24/05/2011


Instituir regras para a "aquisição de conhecimento" parece ter se tornado a maneira mais fácil de fazer com que as pessoas busquem de fato o conhecimento. Burocratizar essa busca não deveria ser o método utilizado para tal, mas sim deveríamos construir uma sociedade que anseie por essa busca pelo próprio prazer do saber. César, parabéns pelo texto! Você é uma dessas pessoas que fazem instaurar o prazer pelo conhecimento por onde quer que passe.

Autor Responde: Gabriela, em primeiro lugar, agradeço muito por seu comentário generoso a meu respeito. Em segundo, gostei muito da forma como você apontou a "burocracia" no cenário presente. Quando se anunciava uma era informatizada, tecnológica, imaginávamos um mundo menos burocrático, mais lógico, mais prático e um ser humano mais livre, mais dono de seu tempo, com maior ócio para ser criativo, menos amedrontado pelas pressões cotidianas.
Parece que algo deu errado...





Enviado por: Anderson Borges Costa    Em: 24/05/2011


Me identifico com a trajetória simples e rica que César Borges teve ( pais mineiros com pouca educação apesar do legado e da valorização dos livros, infãncia pobre, escola pública, curso de Letras, paixão pela literatura, sobrenome Borges etc). São muitas as coincidências. E acho válidas as discussões e reflexões que ele coloca. Vivemos em um mundo competitivo, sim, capitalista, sim. A informação deve agregar valor ao ser humano e não ser objeto de disputa de poder. Um abraço do Anderson Borges Costa

Autor Responde: Penso, Anderson, que deveríamos acrescentar um "Coelho" aos nossos "Borges". Como essa família é grande em Minas! Sabe-se lá se, pelas andanças de algum de nossos antepassados, somos, até mesmo, parentes... (rs).
Mas, falando sério, o Capitalismo, tão bem citado por você, está, sim, na raiz do tratamento superficial, mercadológico e equivocado que a educação vem recebendo nas últimas décadas. Como todo bem de consumo, a educação também se obsoletiza com muita velocidade... E novos produtos surgem...

Um grato abraço,

César





Enviado por: Emilia    Em: 24/05/2010


Caro César, assim como você, passei por processo semelhante. Pais de origem simples, pouco estudo e que priorizavam a educação dos filhos. Só meu pai trabalhava fora e minha mãe "administrava". Estudei em colégio particular, e lembro que minha mãe recebia algumas críticas(não de meu pai) por isso, pois naquele tempo, década se setenta, ainda havia bom ensino público, para que pagar? Havia até um certo preconceito. Minha mãe teve uma opção que hoje não tenho. Hoje, assim como eu, muitas mães passam mais tempo fora de casa para que nossos filhos possam ter uma educação de melhor. Com esperança sempre. Parabéns pelo belo texto. Como sempre, lúcido provocativo e poético.

Autor Responde: De fato, Emilia, o perfil da família mudou muito. Hoje é raro o lar que pode ser sustentado com o trabalho de apenas uma pessoa. O zelo de muitos pais com a educação de seus filhos, porém, sei que não mudou. O que mudou, infelizmente, é o peso que a educação tem para a nossa sociedade.
Fico, como sempre, muito grato por seu comentário e participação.





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César Magalhães Borges

César Magalhães Borges


Escritor e professor universitário, César Magalhães Borges desenvolve um trabalho literário, desde 1980, que envolve poesia, contos, crônicas, canções, roteiros para teatro e histórias infantis.

Autor independente, César já lançou os livros:

- Passagem (poemas e crônicas) - 1985
- Contrastes (poemas) - 1987
- Canto Bélico (poemas) - 1994
- Bolhas de Sabão (infantil)- 1998
- Ciclo da Lua (poemas)- 1999
- Três Acordes (infantil)- 2003
- Folhas Soltas (poesia incidental)- 2006

Na área acadêmica, o autor formou-se em Letras e é pós-graduado em Educação. Publicou diversos artigos sobre o papel formativo da arte e desenvolve, atualmente, pesquisa em que aborda alguns aspectos da criação literária.

Desde 1994, o autor visita escolas públicas, particulares, faculdades, universidades, casas de cultura e espaços culturais alternativos, ministrando palestras, cursos, oficinas e rodas de poesia para professores, alunos e todo aquele que se interesse pela literatura e, em particular, pela poesia. César Magalhães Borges nasceu em 16 de junho de 1964, em Guarulhos / SP, cidade onde reside até os dias de hoje.


Contato: cesarmborges@terra.com.br





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