Postado em: 03/06/2011 às 12h32
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Para que serve a arte afinal? Diante de pergunta semelhante, o poeta Paulo Leminski teria respondido: “graças a Deus, para nada”. Uma resposta ironicamente pertinente se considerarmos o pragmatismo e o utilitarismo reinantes em nossos dias que, entre outras coisas, limitam a dimensão da arte ao rotulá-la como entertainment ou showbusiness.
Certamente, hoje, a arte movimenta a indústria, abre mercados, gera receitas e empregos e, por tudo isso, exige uma postura profissional compatível.
É justo que se ganhe dinheiro com a arte, já que ela demanda labor, dedicação, pesquisa, desenvolvimento de habilidades e talentos. O impasse surge, porém, quando, ao se desenhar a arte como mercado, a visão monetária se sobrepõe e a arte se burocratiza, tornando-se uma grande estrutura de poderes estratificados que passa, a partir de então, a decidir (segundo as leis de investimento, retorno rápido e liquidez), o que deve ser levado à apreciação pública, entorpecendo a crítica e a percepção sensível e deixando poucos, raros espaços ou frestas para que a luz da verdadeira arte se manifeste. Algo que, por si só, já torna a arte, a política, a religião e o futebol passíveis de discussão.
Isto tudo, porém, não subtrai à arte a sua importância, mas convida a uma reflexão sobre o papel que ela ocupa na vida do indivíduo e da sociedade.
O que pode, de fato, modificar as disposições internas de um indivíduo, grupo ou sociedade não escapa a, pelo menos, quatro fatores básicos e fundamentais: a religião, a política, a educação e a arte.
Embora os quatro assuntos estejam extremamente interligados, farei um comentário sucinto sobre o papel de cada um deles em seu campo mais específico, em seus valores mais essenciais, sem entrar no mérito de seus equívocos, contradições e conflitos mais profundos.
Em sua acepção maior, a religião busca re-ligar o homem a uma natureza superior, espiritual, sagrada e, por suas próprias características disciplinadoras e dogmáticas, pode levar o indivíduo à conquista de virtudes como a não violência, o perdão, o amor, a justiça, a união, a caridade e a refrear seus instintos e inclinações mais danosas a si próprio e aos seus semelhantes.
Tais atitudes, se levadas a cabo, seriam capazes de tornar a vida de todos os povos bastante melhor.
Raciocínio semelhante se aplica à política se a compreendermos como representação ordenada, articulada dos interesses coletivos, uma representação da maioria que não esmaga as minorias, mas cria e observa direitos e deveres a serem seguidos por todos os cidadãos de modo a tornar a participação o elemento primordial para o equilíbrio das forças sociais e econômicas.
Em seu sentido mais nobre, a política seria a arte de bem governar os povos, promovendo as mudanças necessárias para que este ideal se realize.
A educação, tomada em sentido amplo, dá-se por toda uma vida e independe de local ou grupo específico de pessoas para acontecer, algo que se confirma em nossa própria língua que, entre outros significados, possibilita que o verbo educar- seja reflexivo -se.
Sim, aprendemos muito com nossas próprias tentativas, acertos e erros. Contudo, ter-se como única imagem levaria ao encontro inevitável de nossos limites que, uma vez não superados, impediriam nossa evolução (cem ou mais anos de solidão).
Se, em princípio, a escola era, para os gregos, o lugar do ócio, um lugar para pensar, para nós ela acabou se tornando uma instituição onde se dá a educação formal (e, no Brasil, obrigatória), de pessoas que deveriam, nela, obter o desenvolvimento integral e harmônico de suas faculdades e habilidades, ou seja, passar por um processo de transformação e amadurecimento individual e coletivo por meio do conhecimento, em seus mais diversos aspectos.
Parafraseando o poeta americano Ezra Pound, eu diria que “a arte surgiu, em primeiro lugar, para alegrar o coração do homem” e, neste sentido, cabe dizer que a natureza da arte é essencialmente humana e deriva de nossas necessidades mais profundas de compartilhar os medos, os anseios, a angústia, o amor, a esperança e a alegria que temos e, ao fazermos isso, sentirmo-nos menos sós, mais integrados à própria existência.
Uma comunidade sem arte seria, certamente, deformada, embrutecida, desumanizada já que, dentre as várias coisas que podemos atribuir a ela, a arte é uma espécie de alimento da alma, da inteligência que dá contornos à nossa sensibilidade e, dessa forma, torna-nos maiores, melhores.
Em um dos ensaios de seu livro “Argumentação Contra a Morte da Arte”, Ferreira Gullar escreveu que “o trabalho artístico, a criação da obra, é na verdade um modo através do qual o artista se constrói fora de si”. De modo inverso, podemos afirmar que alimentar-se de arte é construir-se interiormente.
Embora apreciemos a arte pelo que ela tem de próprio (sua linguagem, forma, expressão), quando retomamos os elementos comentados anteriormente (religião, política e educação), vemos que, exatamente por abrigar em si um conteúdo que carrega as vivências íntimas e profundas de quem a criou e de todo aquele que se põe diante dela, a arte é o veículo que melhor e mais naturalmente integra os demais.
Mesmo quando a intenção do artista está ausente, uma obra pode apresentar componentes ideológicos, ou, ainda, ter sua natureza e intencionalidade adulteradas para servir a propósitos políticos.
Há muito que a classe política se mostra consciente do magnetismo, do poder de atração e sedução que a arte tem. Hoje não existe campanha política sem o suporte da música ou a exploração da imagem, por exemplo. A arte faz parte da propaganda.
Entretanto, do mesmo modo que a política se serve da arte, a arte pode se servir da política para expressar ideias e tentar, pelo caminho da sensibilidade, provocar mudanças.
A “Guernica” de Picasso, “O Grande Ditador” de Charles Chaplin ou as diversas manifestações do Flower Power da década de 1960, apenas para citar alguns exemplos, buscaram denunciar, através da arte, os horrores causados pela guerra e, se não conseguiram, com isso, o término dos conflitos, ao menos contribuíram para formar a ideia de paz dentro de cada um de nós.
Entre arte e educação acontece, mais ou menos, o mesmo. Quando a igreja era a única “encarregada” de educar a população, ela fazia uso da arte para ensinar as virtudes, a moral, os caminhos do bem que professava. Às manifestações artísticas que não eram sacras ou eruditas, sobravam os adjetivos de arte profana, popular e, até mesmo, diabólica.
Pelo que traz em seu bojo, a arte pode mesmo educar, já que também trabalha com dados filosóficos, científicos, históricos. Porém, não cabe à arte compromisso algum com o didatismo, com a explicação sistematizada das coisas. O educar da arte vem, muitas vezes, do elemento inusitado, transgressor, dos deslocamentos que propõe, provocando, em nós, uma nova percepção, uma visão diferenciada e mais aguçada de nosso mundo interior e exterior.
No que diz respeito à religião, podemos dizer que, muito antes da igreja, a arte já era religiosa. Ela nasceu assim, dançando para pedir a chuva, cantando para agradecer a colheita, pedindo proteção antes da caça, nos tempos de guerra, na hora da morte.
E, de novo, por mais que a igreja tenha patrocinado e tutelado as artes para que servissem aos seus propósitos, a religiosidade da arte não vem apenas dos temas que aborda (se são religiosos ou não), mas da capacidade que tem de ser catártica, de abstrair do inconsciente coletivo a expressão, a exteriorização necessária para a cura de nossas mentes e de nossos espíritos.
Sabemos que é difícil reunir tudo o que aqui foi dito em uma obra de arte. É por isso que os gênios são gênios, poucos e raros. Mas é por isso, também, que devemos repensar a forma como a arte é abordada, promovida, divulgada e distribuída em nossa sociedade, em nossos meios de comunicação. Mais do que ser justificada, a arte precisa de espaço para se dar e, verdadeiramente, existir.
Enviado por: Marcia Rosa de Carvalho Em: 09/01/2012 às 23h03min
Olá professor Cesar, fiquei feliz por encontra-lo , sempre vi que você tinha o dom para ser um poeta, foi meu professor na UNG e atá hoje comento com minhas amigas que tu foi o meu melhor professo. bjs e muito sucesso pois você merece.
Enviado por: mariacleuza dias goes Em: 10/11/2011 às 12h08min
Conheci tua obra aqui na escola pública onde trabalho, amei. Envio-lhe um comentário sobre a obra de Dom Quixote, que também fala sobre arte.
“Só mesmo um personagem como este e uma história como esta, para nos exporem à nossa própria e invencível contradição: queremos a sensatez que protege, mas não resistimos à loucura que arrebata. E, por isso, inventamos a arte, que nos permite experimentar a loucura sem correr o risco de ir parar num hospício.”
Enviado por: Silvio Luiz de Oliveira Cursi Em: 17/08/2011 às 19h35min
Elogiá-lo César é chover no molhado, pela competência cultural e literária inerente à sua pessoa. Excelente texto, cujo qual, fez-me repensar o siginificado de religião. Muito grato e desculpe-me por responder somente agora. Estive fora. Abraços.
Enviado por: Marcio Cesar Bassuma Em: 17/07/2011 às 16h31min
Como não poderia deixar de ser, consegue expor diversas temáticas que engendram um excelente texto. Como tudo que gera receita aos poucos perde sua real função e significado, a arte também é dissoluta em suas diversas nuanças, mas noto que ocorrem mudanças. Caso entreguem um conteúdo parco do espetáculo, receberam em troca o descaso, casas vazias, fracasso nas bilheterias. Existe muito a ser feito ainda e o destino não está plenamente traçado, somos nós que o modificamos e seremos nós (sociedade) que exigiremos o conteúdo perdido ao longo dos séculos.
Enviado por: Rosana Gonzaga de Paula Públio Em: 14/07/2011 às 00h40min
Te conheci na UNG, fiz letras e lhe digo era um jovem com sorriso tímido, mas que já mostrava a alma deste belo poeta que virias a ser. Li tudo com carinho e atenção, pois sou amante da poesia, da música e tudo mais que se possa dizer que é arte. Mas como foi tão bem colocado por você a arte é no sentido amplo da palavra a exteriorização do nosso eu, no meu caso especificamente, todo e qualquer tipo de sentimento!!!! Parabéns Cesár, muito sucesso para você!!!! Poetinha (era Vínicius), então vou chamá-lo de Poetão!!!!
Enviado por: Manoel Gomes Em: 03/07/2011 às 13h08min
Apesar de nosso interesse pelo artista, não tem jeito, a arte é sempre arte, porque somente nos interessamos pelo artista se gostamos da arte que o mesmo faz né....Eu por exemplo me interesso bastante por César Magalhães Borges, mas jamais me interessaria em saber do cantor do Parangolé...rs
Valeu césar....abraço
Enviado por: Wagner Hilário Padula Borges Em: 09/06/2011 às 17h54min
A arte é o ventre, a vida e o túmulo. Tanto quanto integra, a arte condensa em si, muitas vezes, religião, política e educação. Falo por experiência própria: encontro mais Deus nas artes que nas igrejas; mais bom senso, civilidade e compreensão social nela que na política; e, confesso, aprendi (me eduquei) mais com a arte que com a educação formal.
Parabéns, César, pelo texto. Conseguiu tratar, didaticamente, de tema para lá de profundo, numa dissertação inevitavelmente acadêmica, mas que ainda assim flerta, na medida certa, com o prosaico e com o poético.
Abraço.

Autor Responde: Oi, Wagner,
Você está absolutamente certo: quando escrevi o texto, o primeiro destino dele foi uma revista acadêmica. Então, não pude fugir demais a um certo tipo de escrita característico do meio acadêmico. Você me salva, porém (rs), quando identifica pitadas prosaicas e poéticas aqui e acolá.
No mais, tenho certeza, frequentamos a mesma igreja, a mesma escola e o mesmo partido...
Um grande abraço,
César
Enviado por: Elisangela de Oliveira Xavier Em: 08/06/2011 às 23h02min
É impressionante a capacidade que você tem de nos ensinar, e sobre qualquer assunto. Parabéns pelo texto, realmente nos instiga a pesquisar sobre os autores citados.
Um abraço

Autor Responde: Elisângela,
Não tenho a intenção de expressar qualquer tipo de falsa modéstia, mas, na verdade, sinto-me um aprendiz. E é exatamente por me sentir assim que agradeço profundamente por suas palavras.
Um abraço,
César
Enviado por: Davi Enghaw Em: 06/06/2011 às 23h07min
Sua análise é didática e ao mesmo tempo inspiradora, mas não sei até que ponto me interessa decifrar a arte. De uns tempos pra cá tenho percebido que me interesso mais pelo artista do que pela arte. Grande abraço.

Autor Responde: Davi,
O que você aponta abre caminho para outro bom tema de discussão: em uma época em que o artista vira celebridade, em que se vive na sociedade do espetáculo, o artista e suas "aparições" / mutações tornam-se um ato à parte. Salvador Dali talvez tenha compreendido isso antes de todos que aí estão hoje. Andy Warhol também...
Um grande abraço e obrigado pela rica intervenção,
César
Enviado por: Gabriela Inácio Em: 06/06/2011 às 20h47min
Não há mais nada o que dizer. O César sempre consegue expressar conceitos inexpressáveis de maneira indiscutível. Parabéns!

Autor Responde: Oi, Gabriela,
Só posso agradecer pelo comentário e por, uma vez mais, poder contar com a sua leitura atenciosa.
Um beijo,
César
Enviado por: Solange Azevedo Em: 06/06/2011 às 16h31min
Parabéns pelo texto, César. Como sempre, muito lúcido.

Autor Responde: Solange,
É sempre muito bom contar com sua leitura.
Um beijo e obrigado,
César
Enviado por: Anderson de Oliveira Lima Em: 05/06/2011 às 16h12min
César, outra vez parabenizo-o pelo texto. Me identifico com sua forma de escrever, e de refletir...
Sinto-me próximo da arte como músico que sou, e próximo da religião, já que também sou cientista da religião. Aí é que seu texto se faz relevante na minha vida, na dificuldade que há quando damos às nossas concepções religiosas a liberdade habitual do processo criativo do artista. Entendo que há certa dose de pragmatismo em minha religiosidade, influência pós-modernidade, mas luto contra as tentativas conservadoras de limitar a criatividade ou a humanidade no discurso religioso, quando afirmam a existência de uma única verdade, que não é a verdade divina, mas a dos religiosos que a proclamam.
Desculpe se me desvio do texto, mas aproveitei o espaço para refletir comigo mesmo sobre minha atividade. Acho que entende o processo.
Obrigado.

Autor Responde: Anderson,
Não houve, de forma alguma, desvio do assunto, mas uma rica reflexão sobre a arte em sua vida pessoal. É uma reflexão pertinente posto que, em todos os campos, há dogmas, preconceitos, verdades absolutas que precisam, sim, ser questionados pelos espíritos sensíveis e inteligentes.
Agradeço muito por suas palavras.
Um abraço,
César
Enviado por: Luciana Em: 04/06/2011 às 13h29min
Muito bom mesmo o texto. A arte e suas importantes formas de se apresentar, de nos fazer ver, sentir, viver, estar perto de Deus.

Autor Responde: Luciana,
É verdade: a arte é, entre outras coisas, uma grande forma de aproximação.
Um abraço e muitíssimo grato por sua leitura,
César
Enviado por: Elaine Novaes Em: 04/06/2011 às 00h44min
Muito,muito bom o seu texto. Considero, em primeiro lugar, valiosas as considerações sobre a educação, religião e a política... A arte, sem dúvida, engloba todas as esferas da atividade humana, mesmo as mais básicas. Realmente é necessário repensar no espaço. Por que a cultura não consegue, em muitos casos, coexistir lado a lado com os outros conceitos também considerados importantes?
Parabéns!

Autor Responde: Oi, Elaine,
Há momentos em que, de fato, a cultura e a arte parecem banalizadas ou tratadas como perfumarias. Satisfeitas, porém, as necessidades físicas mais básicas, o espírito humano procura algo maior que lhe dê sentido... E aí, novamente, encontramos a educação, a religião, a política, a filosofia, a arte, a cultura... São pães a alimentar o nosso espírito.
Um beijo e obrigado pelos comentário,
César
Enviado por: Ana paula Almeida Em: 03/06/2011 às 23h27min
O texto é lindo !!!e super interessante,perceber como a arte é importante e está no meio de nós, mas muitas vezes passa despercebida,devemos preservar a arte para que ela não desapareçã.

Autor Responde: Ana,
Acredito que a arte não desaparecerá jamais. É uma necessidade humana e, enquanto existirmos, ela há de existir.
Um grande abraço e muito obrigado por sua leitura sensível,
César
Enviado por: Plácido Rodrigues Em: 03/06/2011 às 13h04min
Costumo dizer que ler algo sobre teoria da arte sem ter vontade de ir fazer outra coisa é algo impossível. No entanto esse texto, sem falsa demagogia, é algo sublime, que nem sequer consigo descrever. É uma aula de valores, de cidadania e de arte.
Um texto para ser lido em voz alta. Um texto que nos possibilita pesquisas, em virtude das citações bem colocadas pelo autor.
Parabéns!
Plácido Rodrigues.

Autor Responde: Plácido,
Fico imensamente grato por seus comentários e pela voz que você deu ao texto.
Um grande abraço,
César
23/05/2011 às 09h57
Perfil de César Magalhães Borges01/12/2010 às 23h11
Inspiração, Transpiração e Outras Pirações01/06/2010 às 23h10
Visita23/05/2010 às 23h09
S/I - A Sociedade Institucionalizada21/05/2011 às 23h08
Hai-kai a tarde
Escritor e professor universitário, César Magalhães Borges desenvolve um trabalho literário, desde 1980, que envolve poesia, contos, crônicas, canções, roteiros para teatro e histórias infantis.
Autor independente, César já lançou os livros:
- Passagem (poemas e crônicas) - 1985
- Contrastes (poemas) - 1987
- Canto Bélico (poemas) - 1994
- Bolhas de Sabão (infantil)- 1998
- Ciclo da Lua (poemas)- 1999
- Três Acordes (infantil)- 2003
- Folhas Soltas (poesia incidental)- 2006
Na área acadêmica, o autor formou-se em Letras e é pós-graduado em Educação. Publicou diversos artigos sobre o papel formativo da arte e desenvolve, atualmente, pesquisa em que aborda alguns aspectos da criação literária.
Desde 1994, o autor visita escolas públicas, particulares, faculdades, universidades, casas de cultura e espaços culturais alternativos, ministrando palestras, cursos, oficinas e rodas de poesia para professores, alunos e todo aquele que se interesse pela literatura e, em particular, pela poesia. César Magalhães Borges nasceu em 16 de junho de 1964, em Guarulhos / SP, cidade onde reside até os dias de hoje.
Contato: cesarmborges@terra.com.br